“Moradores da região da avenida Edgar Facó (zona norte de São Paulo) interditaram a via na manhã deste sábado para protestar contra os estragos causados pela enchente de sexta-feira (16). Os manifestantes usaram móveis danificados pelo alagamento para bloquear a avenida”
(Folha de São Paulo)


Era só o que me faltava, viu! O povo é tão ignorante, que acredita poder resolver o problema da enchente com protestos. Protestar contra quem? Contra a Natureza, por ter chovido? Contra os governantes porque não providenciam a uma forma da água escoar apropriadamente evitando as enchentes? Ou será que vão olhar para o próprio rabo e brigar uns com os outros porque jogam seus lixos nas ruas, entopem os bueiros, poluem os rios e só reclamam quando atola a coisa toda?

Você aí, que se acha no direito de protestar, diga-me: O que faz com o seu lixo?
No Brasil são produzidas 125 mil toneladas de lixo por dia, ou 45 milhões de toneladas por ano, sendo que apenas 6,4% das cidades brasileiras reciclam alguma porcentagem de seu lixo. Em São Paulo, uma das cidades onde os alagamentos causaram maior estrago, apenas 7,4% do total de lixo é reciclado. O resto é dividido entre lixões, rios, ruas, terrenos baldios...

Aí você me diz, “Mas são poucos os lugares onde existe a coleta seletiva de lixo”. Então quer que eu te dê uma notícia alarmante? Nesses lugares, salvo raríssimas exceções, pouco mais do que 30% das pessoas colaboram com essa coleta, separando seu lixo da forma correta. No entanto, ainda existe aquele tipo de pessoa, como o senhor do apartamento ao lado (ou quem sabe até mesmo você), que separa seu lixo corretamente, se orgulha de estar ajudando a salvar o meio ambiente, mas quando sai para um passeio com a esposa e filhos, passa pelas ruas jogando papel de bala e garrafas de água pela janela do carro, incentiva as crianças a largar o copo descartável na areia da praia – “como todo mundo faz” – e aproveita para se entupir de comida no “Fast Food” mais próximo, deixando aquela sacola cheia de lixo no primeiro terreno baldio, ou latão, que encontra no caminho. E aí, quando chegar a temporada de chuvas e a cidade ficar debaixo d’água outra vez, meu amigo, essa pessoa será a primeira a apontar o dedo para o indivíduo mais próximo e dizer: “Você é o culpado!”

Então você quer dizer que os governantes não têm culpa? Não. Eu nunca disse isso. Na verdade, a culpa não é de fulano, de beltrano, ou de cicrano, individualmente. A culpa é de todos! E eu não me excluo dessa lista. Só acho um absurdo a população ser capaz de se mobilizar para bloquear as estradas com aquele monte de entulho que a chuva carregou (e que provavelmente vai carregar de novo, porque aposto que ninguém pensou em tirar aquela coisa toda dali) e não ser capaz de se conscientizar do seu próprio erro e se unir para tomar atitudes definitivas e resolver o problema.

Mas se a necessidade de culpar alguém é tão grande assim, culpem logo São Pedro e mandem um abaixo assinado para Deus pedindo que ele seja afastado do cargo.

Escrito por Carla às 19h40
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